Nessas últimas semanas
tive a oportunidade de viajar por alguns povoados ao redor do México. A impressão
que tive era que o tempo havia parado. E tudo isso é uma grande ironia, pois o
mesmo ponteiro do relógio que não anda, pode significar que o tempo parou ou
que sua ansiedade não permite deixar o ponteiro andar.
Conheci pessoas com vidas
tão diferentes, e que de inicial, me provocou perturbações. Conseguiria eu
viver desta maneira? Ter uma alimentação de subsistência, fazer da semente do
café o artesanato de minha economia, entregar meus dias ao Deus do Trovão...? Estou
tão acostumado a pensar no dia seguinte enquanto estou em um engarrafamento de
2 horas.
O que eu enxerguei
como turismo, é uma rotina para estes povos. É cruel a sensação de estar em um zoológico
– ou melhor, em um safari – onde podemos tocar e interagir com os animais deste
cativeiro que, em nossa interpretação, é um cativeiro de vida. Já na interpretação
dos animais, um cativeiro benéfico aos ponteiros parados pela ansiedade do
mundo. Pergunte a menina, com o rosto sujo de barro, se ela preferiria passar
uma semana na Disney ao invés de construir bonecos com “lama” - ou melhor,
primeiro diga a ela o que significa Disney e depois pergunte.
Fico pensando na
senhora que vive em meio a uma zona arqueológica, junto às pirâmides de Tajin,
em Papantla. Ela já não sabe seu nome e nem sua idade. Não aprendeu espanhol,
não foi à escola. Só fala Totonaco, a língua indígena de seu povoado. A família
vive de artesanato. Se alimentam do que produzem no pedaço de terra em que
vivem.
No garoto de 16 anos
que conduz ovelhas, a meia noite, em uma estrada dentro de um povoado de
Puebla.
No senhor que todos os
dias caminha os quilômetros de sua lida até a Cidade Azteca, onde vende
flechas, que simbolizam as usadas pelos astecas durante a guerra contra os
espanhóis. Suas mãos são esculpidas por sua história, afiada como a própria
arma de sua subsistência.
Penso no homem e nas
duas crianças que recolhem as flores, que cresceram no quintal da casa, rodeada de
muito mato e uma estrada sentindo Michoacán.
O menino de 9 anos,
que já tem decorada a lenda que conta a todos que se aproximam da Orella del
Lago, no povoado de Huazuen em Morelia. Com umas mascara em suas mãos, ele
conta e interpreta, sem respirar – talvez por medo de esquecer. Ele completa 10
anos no próximo mês e não está preocupado com o presente que vai ganhar.
O que deve estar
fazendo toda aquela gente que comemorava o Dia dos Mortos com as “almas” dos
entes queridos, no cemitério de Tzintzantzun, no povoado de Patzcuaro?
Eu penso em todas
essas pessoas.
Turistas fazem delas “curtir”
nas fotos do Facebook. Moradores de megalópoles julgam a rotina oca em que elas
vivem. Eu sou turista e morador de
megalópole. E fugindo um pouco de ambos os estereótipos, que carrego na
etiqueta dessa minha bagagem de mão, me
permito a uma licença poética:
Quanto maior for o
nosso aquário, mais tempo temos para nada. E quanto menor for o nosso aquário, mais
tempo temos para nada. “Nada” depende de você, quando tudo que você tem é
nadar, seja o seu aquário um povoado mexicano ou a megalópole carioca.
(Vinicius Covas)

2 comentários:
Olá Vinicius tudo bem?
Irei para o méxico em Janeiro estudar Artes Cênicas na Universidade Autónoma de Hidalgo.
Irei morar em mineral del monte que fica uma hora e meia da Cidade do México. Gostaria que me indicasse lugares que não posso perder a chance de ir. Obrigada
Fala, Marieli!
Que legal! O México é um ótimo país quando o assunto e artes, sendo artes cênicas, melhor ainda!!
Boa dica de publicacao! Irei escrever sobre e te envio o link.
Te adianto que a Cidade do México é bem bacana. Tem muito o que visitar. Voce pode vir visitar a Cidade do México e ir no Turibus, que custa como 30 reais e pode passear o dia todo, saindo e voltando ao onibus quando quiser. Ele faz o tour pelos principais pontos da cidade, que por sinal, é gigante. Dá uma olhada: http://www.turibus.com.mx/
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