Estava de noite. Eu parei, olhe para cima e percebi: eu tenho uma estrela. Não sei qual é, como ela é, qual o seu nome, como é a sua vida. A única certeza que eu tenho é: eu tenho uma estrela. Pode parecer algo bobo, infantil, despercebível para mim, mas será que para ela (para a estrela) isso é irrelevante?
Na nossa galáxia, a Via-Láctea, existem algo em torno de 300 bilhões de estrelas, porém nem todas são visíveis. Algumas se destacam para nós e outras são tímidas ou são ofuscadas por outros astros, que desfilam no tapete vermelho do universo. A minha estrela, eu tenho certeza, que estava ansiosa pela escuridão, pois sabia que eu estaria lá, olhando para ela.
Nós começamos a conversar. Ela me contou que nasceu a partir de uma briga de gases vaidosos, cerca de 500 milhões de anos atrás e até hoje luta pela sua existência. Tinha tido um dia difícil… Pela manhã vagou pela imensidão de sua constelação na esperança de ser notada, mas outro astro ofuscava a sua presença. Algo rotineiro quando estamos falando de “astros”. Algumas estrelas não aguentam a pressão e cometem suicídio, e sem cadência, se tornam cadentes, caindo em nossa terra na esperança de notarmos. E aí notamos e, ironicamente, fazemos “pedidos”. Algumas morrem afogadas, as estrelas do mar.
Começou a clarear e ela se despediu. Foi dividir a sua atenção com alguém do outro lado do mundo. Marcamos de continuar a conversa amanhã a noite. Ela lá e eu aqui, separados por um céu ou por uma terra.
A metáfora fica por conta de que às vezes o que é imperceptível, ou é pequeno a nós, na verdade tem o seu tamanho no espaço. No nosso espaço. E o que brilha muito só é visto na escuridão. Está sempre lá em cima, e por isso não damos valor, mas sem elas (as estrelas), ficaríamos na escuridão para sempre. Somos do mesmo tamanho que achamos que elas são, então, precisamos pensar: qual é o tamanho que damos a elas?
Elas brilham por nós.

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