Eu perdi meu óculos. Foi caríssimo. De marca. Bonito. Só sobrou a caixa. E foi em um momento super delicado. Estou longe de meu país e não trouxe meus milhões de reais - que deixei guardado embaixo da cama. Penso que caiu no táxi. De repente ele queria dar uma volta pelo México e conhecer a capital a partir do seu próprio ponto de vista. Ou de repente foi apenas um descuido meu mesmo.
Fiquei triste. Óbvio. Todos os meus planos para as próximas horas ficaram embaçados, perdi o foco. Mas naquele noite uma haste ainda ia se apoiar em meus ouvidos - e não era nenhuma armação.
"Não deixe que um bem material afete o que está aí dentro. Seu coração. Suas emoções. Você perdeu seu óculos, mas tem que agradecer por que tem visão, tem como ver", disse um amigo mexicano, Fernando Reyes.
O que ele me disse foi algo óbvio. Mas sem óculos, eu não estava enxergando - ou não querendo ver.
Às vezes não vemos o que está bem na nossa frente. E não é questão de miopia, astigmatismo, hipermetropia... Só temos que alterar o grau de importância em que vemos nas coisas.
E se você já foi ao oftalmologista, me diga: consegue ler estas letrinhas? Melhor assim, ou, assim?
Vinicius Covas,.


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