Coelho saindo da cartola, faca cortando a garganta, fogo brotando das mãos, uma mulher levitando… E em um passe de mágica, a plateia reage: “uau”, já o homem-de-terno-preto-e-varinha-na-mão pensa “ufa”. Duas interjeições não muito diferentes que exprimem em ambos os casos “alívio”.
Não consigo definir o que é mais mágico: o mágico ou a magia de tornar invisível as desilusões magicadas pelo respeitável público. O “alívio” do “UAU”, vem consonado por obstáculos intrínsecos, e nem tão ilusórios, de difíceis soluções até mesmo por truques secretos. Um alívio magistrado com a varinha mágica da esperança.
“Quando você acredita, qualquer coisa é possível”, disse o mágico Oscar, que depois se tornaria o Mágico de Oz, no filme “Oz - Mágico e Poderoso”. Naquela noite de exibição, uma menina, sentada na primeira fileira, motivada com o conselho do mágico, suplicou: “Me faça andar”. E o pseudo-mágico, ao olhar para a menina em cadeiras de rodas, percebeu que palavras mágicas existem para algumas pessoas.
Não vou entrar a fundo do que está por trás da mensagem passada na história de “O Mágico de Oz”. A simbologia ateísta e as analogias sobre o “carma” não me permitem. Quero falar sobre a magia do invisível, quero falar sobre o que acontece embaixo do sobretudo mágico que veste a nossa vida.
Uma vez conheci um cara, ele era pequeno e era príncipe, o pessoal logo chamou de “O Pequeno Príncipe”. Ele me disse: “Vinicius, eis o meu segredo: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”. Pequeno e morador solitário de uma planeta distante, que de tão invisível, se tornou essencial. Na filosofia, há uma dialética entre o conceito de aparência e essência. Entendemos como “aparência” tudo aquilo que podemos experimentar pelos sentidos e que, geralmente, é mutável. Já “essência” é tudo aquilo que faz ser o que é, que, não-aparentemente, é invisível aos olhos. Qual é a essência que une as pessoas? os objetos? os caminhos? A essência não é muta de mutável, mas muda de miuda. Porém, sou essencialmente a consequência de minhas ações que, ironicamente, muitas vezes são movidas pela aparência. Não sabemos o truque da mágica, mas involuntariamente, nos fazemos acreditar no que vemos, enquanto sabiamente o mágico conduz a mutação.
A vida é um truque de mágica, ou pelo menos é o que a mantém ainda sendo mágica. Vemos estrelas e planetas mas não o que os mantém ligados. Podemos ver as pessoas, mas não a história delas, os seus sonhos… Julgamos o que vemos, o que é paradoxo, pois vemos o que queremos, o contrário de sentir, que às vezes sentimos o que não entendemos e nem entendemos por que sentimos e, assim, buscamos um motivo que nos explique por que é que não conseguimos ver sentido no que sentimos, no que desejamos e o que faz parte do nosso mundo.
Mas, se estamos falando do espetáculo da vida, somos um respeitável público e por sermos respeitados, aconselho que não vivamos esta limitação de viver apenas o que faz sentido, por que muitas vezes, o sentido se faz naquilo que não vemos e, assim, devemos criar (sentido), mesmo sem ter sentido.
Vinicius Covas.
(Como você fez isso? Eu vivi 55 anos e nunca vi um milagre como esse…)
Para o mendigo é um milagre, para o mágico é só um truque.

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