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domingo, maio 12, 2013

Já parou para pensar em como estamos vivendo?

5:28 PM

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Andei pensando muito sobre o nosso comportamento nessa época do ano. Geralmente no Natal estamos completamente felizes. Somos ótimas pessoas, e justificamos isso dando presentes; estamos sempre com um sorriso no rosto, prontos para dar um abraço naquela pessoa que a gente vê todo dia; estamos muito bem vestidos, pois gastamos uma grana para isso e o dinheiro nem tava sobrando; queremos receber todo mundo em nossa casa, pois a mesa está cheia e tem comida para todo mundo comer (e ver). Somos pessoas que amam pessoas, e isso é muito bonito.
Só que tenho duas notícias. A primeira notícia é que todo esse amor acaba daqui a pouco. A segunda é que: não amamos pessoas.

Amamos a vaidade de presentear todo mundo. Amamos o desejo de sermos elogiados. Amamos o orgulho de uma mesa cheia. Damos presentes embalados com impaciência, com obrigação, e com “se não gostar, pode trocar”. Esquecemos que o melhor presente é um abraço: o tamanho sempre estará certo, mas você ficará feliz se o presenteado quiser devolver. E quando digo isso tudo, também falo de mim.

Não sou contra a este amor instantâneo que se acende no final do ano. Acontece que estamos nos tornando bonecos plásticos. Somos marionetes de um mundo artificial, onde a cada dia somos obrigados a surfar em ondas, que nos levam à areias movediças, e facilmente somos engolidos e digeridos, formando uma grande massa. Uma massa de modelar.

Transformamos o natural em obrigação, e quando fazemos isto, tiramos toda a essência do SER e passamos para o TER. Se não presenteamos no Natal, ficamos infelizes, pois acreditamos que será um infelicidade para aquela pessoa não “ter”. A ironia é tanta que quando “brincamos” de “amigo oculto”, perguntamos uns para os outros: “quem é SEU amigo oculto?’, como se existisse um sentimento de posse. Na verdade, esquecemos de SER um amigo, que mesmo que seja oculto, não deixa de ser “amigo”. Escrevemos nomes em papeizinhos, dobramos, misturamos e sorteamos, e nisso eu concordo: sorteamos amigos

Nesta época do ano o espírito natalino toma conta e, em um surto, queremos ajudar as pessoas - até por que todos ajudam, então somos “obrigados” a ajudar. Somos pessoas boas: ajudamos os pobres, os mendigos, os asilados, os sem-saúde e quem mais aparecer, e este é o melhor presente que podemos dar à alguém. Acredito que estas pessoas esperam ansiosamente por esta época, pois sabem que serão lembradas. Mas por que não lembramos delas nos outros dias do ano? Fazemos isto por elas ou por nós? Amamos as pessoas ou a nossa vaidade e egoísmo? E quando digo isso tudo, também falo de mim.

Andei pensando também sobre o “fim do mundo” - que estava marcado para o dia 21/12. Por mais ilusório que tenha sido, imagina se estivesse marcado para o Natal e fosse, de fato, real. Os presentes das lojas caras não valeriam mais nada; a ceia com o Chester recheado não teria gosto; o amigo deixaria de ser oculto; a oração da meia-noite seria mais sincera. Nos igualaríamos a um só: sem vaidades, egoísmos, orgulhos, invejas… e por aí vai. E no caso do mundo não acabar, começaríamos, de fato, a acreditar em milagres de Natal.

Adoro Natal e toda esta essência que plana nos ares da noite natalina. Gosto muito de receber e dar presentes. Ajudar as pessoas e reunir com os amigos e família. A questão é: já parou para pensar no que estamos fazendo?

Não quero entrar no que está por trás do Natal e justificar toda a essência do dia 25/12, mas lembro que estamos comemorando um nascimento, e não um “enterro dos ossos”, como chamamos o dia-seguinte-a-ceia.

Eu desejo que você tenha um ótimo Natal. Me desculpe se eu peguei pesado neste texto, mas nem só de presente vive o saco do Papai Noel. E por falar em Papai Noel: avise aos seus convidados que o biscoito e o leite é dele.

Feliz Natal 2012.

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