16 de setembro – México [Estrada que liga o estado de Guanajuato à Cidade do México - Rota 57].
Longe do que está por vir, e
perto do que já passou. São algumas horas de viagem até chegar ao destino que
aponta meu boleto. Tenho a sensação que a cada piscada perco alguns metros desse concreto que me suporta. É engraçada a percepção que alcançamos
quando damos de encontro com algo que não conhecíamos: tudo já estava aqui,
independente de nossa respiração, e isso, inspira ação. São tantas placas que
me convidam a mudar de direção: direitas, esquerdas, atalhos, retornos... Que
meu sistema de posicionamento geográfico recalcula rota a cada buraco, mas
sempre intuitivo e em busca do X que marca a chegada.
Sim, isso me custa um pedágio, ou talvez um eufemismo para adágio. Para a cancela
levantar, cancelo, protelo, martelo... Por que são muito mais que seis marchas
e um bater de pé forte seguido de um leve. Eu escrevo sobre a marcha dos
alistados para este engarrafamento que é a vida. Começa a chover. Ou não. Na
verdade, não sei se já estava chovendo aqui antes de eu chegar ou só foi eu
chegar que começou a chover. De qualquer forma, molha. Sei que prudente é
diminuir a velocidade.
É irônico pensar que enquanto vou, muitos voltam. Enquanto
muitos voltam, eu vou. E na contramão das duas hipóteses, muitos ficam. Na
bagagem, só a curiosidade de saber quem são essas pessoas. Quem arquitetou
estes nossos caminhos? Tantas bifurcações para só um destino. Muitos metros, para poucos quilômetros.
Desesperador é notar a quantidade de jazigos nas encostas
desta estrada. Antes fosse mais uma metáfora, mas o fato é que, em cada um
desses, uma recordação foi plantada, e literalmente, deixada para trás. Nessa
viagem, não há limite nos radares que monitoram as lembranças atropeladas por
hora. Por hora. Por ora.
Muito me faz frear, mas eu não enchi esse tanque à toa. São
litros do mais possível intrínseco combustível.
Tenho sono. Tenho sonho. Mas não quero viajar de olhos fechados igual a muitos outros passageiros. Quero sonhar de olhos abertos.
É hora de acordar com meus sonhos.
Vinicius Covas,.
viniciuscovas@gmail.com
É hora de acordar com meus sonhos.
Vinicius Covas,.
viniciuscovas@gmail.com


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