O mundo está cada vez
mais rápido, as informações são propagadas através dos novos meios de
comunicação, em uma velocidade extremamente alta, e com isso, as pessoas se
tornam extremamente rápidas, ansiosas, sedentas por mais e mais novas
informações. A tecnologia é a responsável por tudo isso. A cada dia surgem
novos aparelhos, equipamentos, aplicativos, que de certa forma alteram a nossa
realidade, criando novos conceitos e modificando o modo de lidarmos com algumas
situações em nosso dia a dia. O meio altera o modo e os meios de comunicação criam estes novos modos. Tenho certeza, que
hoje em dia, antes de você ligar para alguém, você verifica se a pessoa está
online em uma das redes que você participa junto com ela; o “bom dia” você
manda para todos os seus amigos de uma só vez quando clica no “Enter”; e por aí
vai... Mas agora você deve estar se perguntando: “aonde ele quer chegar com
tudo isso?”. Pois é. Há algum tempo eu fazia uma perguntar similar a essa. Me
perguntava: “onde é que vamos chegar com tudo isso?”. Eu estava me referindo ao
uso dessas novas tecnologias, da internet, dos meios de comunicação, e como que
“tudo isso” poderia afetar a nossa forma de nos relacionar com algumas coisas.
Não só somos parte desta grande rede, como também a construímos, e com ela
podemos tirar proveitos. Só não fomos educados corretamente quanto ao seu uso,
porém, com o seu uso correto, podemos ser educados. Esse ensaio irá tratar
sobre como as novas formas de tecnologias e comunicações podem influenciar na
educação.
Nós, brasileiros,
estamos em grande número na internet. De acordo com uma pesquisa realizada pelo
Ibope NetRating, somos 79,9 milhões de usuários tupiniquins conectados na
grande rede, e estamos em 5° lugar no ranking de países mais conectados, além
disso, somos o país com maior presença nas redes sociais, sendo 86% da população nacional usuária, segundo a empresa global de
informações Nielsen. Passamos inúmeras horas por dia conectados, seja através
de um computador no trabalho, ou em casa, ou na rua pelo celular. Podemos dizer
que a nossa sociedade está mudando, na verdade, já mudou. E como tudo muda, eu
proponho uma mudança também na educação. Somos a maiorias nas redes, por que
então não usar isso ao nosso favor?
Nossos alunos somam a
porcentagem que indica o número de usuários na internet; consumidores de novas
tecnologias; e adotantes das novas práticas de comunicação. Não se contentam
mais com um lápis preto e um caderno pautado 300 folhas; com cadeiras e mesas
escolares convencionais; e com um quadro negro, mas que na verdade é verde, e
que solta um giz que acaba deixando dezenas de alunos em casa por conta da
alergia. É necessária uma revolução na forma de transmitir a educação a esses
alunos. Concordo que já há bastante tempo existe essa preocupação, e com isso,
inovadoras ferramentas educacionais já estão sendo utilizadas, como o ensino a
distância onde o aluno pode adquirir o mesmo conhecimento que um aluno que
estuda na forma presencial, o que quebra o paradigma de que o bom ensino é uma
questão sócio geográfica, ou como por exemplo, o uso de tecnologias robóticas
que auxiliam no estudo do aluno. Porém, não refiro a estas escolhas de
tecnologias no ensino, falo daquelas mais comuns e usuais, que nos rondam em
todas as instâncias. Nossos alunos estão presentes em quase todas as redes
sociais: Facebook, Twitter, MSN, Youtube... É para lá que eles vão após uma
cansativa e monótona aula em seu tradicional colégio. Acredito que a sala de
aula deve existir na forma continuada, se prolongando a estas redes, mas para
existir esse caráter educativo, é necessária a mediação de nossos docentes. Ao
contrário disso, nossos professores tratam criminalmente os alunos que passam
horas nas redes, ao invés de identificarem como elas podem se tornar aliadas ao
ensino, o que acaba traduzindo como algo maléfico. É fundamental pensar nestes
espaços de redes sociais na internet como locus de informação, de troca de
saberes e aprendizagem, uma plataforma voltada para a produção coletiva de
conhecimento. Imagine comigo: um aluno acaba de sair da sua escola com algumas
dúvidas do que foi abordado na aula da Professora Ana, ao chegar em casa, ele
entra no Twitter e busca pela palavra chave #AulaDaAna, e ao clicar em
“Pesquisar”, ele encontra dezenas de publicações, ele localiza a que melhor se
adequa com a sua dúvida, clica no link em questão, e ele é redirecionado para o
Youtube, onde ele pode encontrar a devida aula na íntegra. Ou de repente, ele
entra no Facebook, procura o grupo “AuladaAna”, e interage com todos os seus
colegas de classe, podendo ainda tirar aquela sua dúvida com a Professora Ana,
que vai estar online durante todo o turno da tarde. Algumas redes sociais já
são essencialmente voltadas ao ensino, como a LiveMocha, onde se pode aprender
até 38 idiomas a partir do contato direto com um nativo de determinado país, e
que por sinal já soma 2 milhões de brasileiros em sua rede. O próprio Facebook
já notou a necessidade de incentivar o seu uso destinado a educação, anunciando
a criação de grupos na rede voltados apenas para instituições de ensino. De
acordo com a rede social, a ferramenta será usada para discutir as aulas, planejar
eventos, compartilhar conhecimentos entre os colegas de classe, além de
diversas outras funcionalidades.
As plataformas sociais
na internet possuem caráter natural e espontâneo, o que torna mais fácil o
aprendizado e o interesse do aluno por determinado estudo. Não existe distinção
geográfica territorial, social, de cor, raça ou credo. Somos todos iguais, a
informação é democrática e livre. Acredito que com a apropriação da internet
voltada para a educação, podemos tocar na ferida deixada pelos abismos
intelectuais em nosso país. Somos brasileiros, somos potencialmente sociáveis.
Compartilhamos sorrisos e carisma, por que não compartilhar também
conhecimento? Veja bem: não proponho nenhuma criação de uma nova tecnologia, e
sim, o uso adequado das populares redes sociais, e a formação e conscientização
dos docentes perante a elas. Porém, para isso, é necessário que os nossos pais
e docentes estejam inseridos nesta forma de lidar com os novos meios. Michael
Rich, professor do Centro de Mídia e Saúde Infantil da Universidade de Havard,
afirma que “os pais precisam engolir seu orgulho e se tornar aprendizes dos
filhos na parte técnica, para que possam ser seus professores na parte humana”.
Concordo plenamente. E afinal, se você que está me lendo agora é pai ou
professor, um aviso: já está na hora de se conectar a “nova educação”.
Vinicius Covas

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