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domingo, maio 12, 2013

Redes sociáveis e educacionais

7:36 PM

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O mundo está cada vez mais rápido, as informações são propagadas através dos novos meios de comunicação, em uma velocidade extremamente alta, e com isso, as pessoas se tornam extremamente rápidas, ansiosas, sedentas por mais e mais novas informações. A tecnologia é a responsável por tudo isso. A cada dia surgem novos aparelhos, equipamentos, aplicativos, que de certa forma alteram a nossa realidade, criando novos conceitos e modificando o modo de lidarmos com algumas situações em nosso dia a dia. O meio altera o modo e os meios de comunicação criam estes novos modos. Tenho certeza, que hoje em dia, antes de você ligar para alguém, você verifica se a pessoa está online em uma das redes que você participa junto com ela; o “bom dia” você manda para todos os seus amigos de uma só vez quando clica no “Enter”; e por aí vai... Mas agora você deve estar se perguntando: “aonde ele quer chegar com tudo isso?”. Pois é. Há algum tempo eu fazia uma perguntar similar a essa. Me perguntava: “onde é que vamos chegar com tudo isso?”. Eu estava me referindo ao uso dessas novas tecnologias, da internet, dos meios de comunicação, e como que “tudo isso” poderia afetar a nossa forma de nos relacionar com algumas coisas. Não só somos parte desta grande rede, como também a construímos, e com ela podemos tirar proveitos. Só não fomos educados corretamente quanto ao seu uso, porém, com o seu uso correto, podemos ser educados. Esse ensaio irá tratar sobre como as novas formas de tecnologias e comunicações podem influenciar na educação.
Nós, brasileiros, estamos em grande número na internet. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Ibope NetRating, somos 79,9 milhões de usuários tupiniquins conectados na grande rede, e estamos em 5° lugar no ranking de países mais conectados, além disso, somos o país com maior presença nas redes sociais, sendo 86% da população nacional  usuária, segundo a empresa global de informações Nielsen. Passamos inúmeras horas por dia conectados, seja através de um computador no trabalho, ou em casa, ou na rua pelo celular. Podemos dizer que a nossa sociedade está mudando, na verdade, já mudou. E como tudo muda, eu proponho uma mudança também na educação. Somos a maiorias nas redes, por que então não usar isso ao nosso favor?

Nossos alunos somam a porcentagem que indica o número de usuários na internet; consumidores de novas tecnologias; e adotantes das novas práticas de comunicação. Não se contentam mais com um lápis preto e um caderno pautado 300 folhas; com cadeiras e mesas escolares convencionais; e com um quadro negro, mas que na verdade é verde, e que solta um giz que acaba deixando dezenas de alunos em casa por conta da alergia. É necessária uma revolução na forma de transmitir a educação a esses alunos. Concordo que já há bastante tempo existe essa preocupação, e com isso, inovadoras ferramentas educacionais já estão sendo utilizadas, como o ensino a distância onde o aluno pode adquirir o mesmo conhecimento que um aluno que estuda na forma presencial, o que quebra o paradigma de que o bom ensino é uma questão sócio geográfica, ou como por exemplo, o uso de tecnologias robóticas que auxiliam no estudo do aluno. Porém, não refiro a estas escolhas de tecnologias no ensino, falo daquelas mais comuns e usuais, que nos rondam em todas as instâncias. Nossos alunos estão presentes em quase todas as redes sociais: Facebook, Twitter, MSN, Youtube... É para lá que eles vão após uma cansativa e monótona aula em seu tradicional colégio. Acredito que a sala de aula deve existir na forma continuada, se prolongando a estas redes, mas para existir esse caráter educativo, é necessária a mediação de nossos docentes. Ao contrário disso, nossos professores tratam criminalmente os alunos que passam horas nas redes, ao invés de identificarem como elas podem se tornar aliadas ao ensino, o que acaba traduzindo como algo maléfico. É fundamental pensar nestes espaços de redes sociais na internet como locus de informação, de troca de saberes e aprendizagem, uma plataforma voltada para a produção coletiva de conhecimento. Imagine comigo: um aluno acaba de sair da sua escola com algumas dúvidas do que foi abordado na aula da Professora Ana, ao chegar em casa, ele entra no Twitter e busca pela palavra chave #AulaDaAna, e ao clicar em “Pesquisar”, ele encontra dezenas de publicações, ele localiza a que melhor se adequa com a sua dúvida, clica no link em questão, e ele é redirecionado para o Youtube, onde ele pode encontrar a devida aula na íntegra. Ou de repente, ele entra no Facebook, procura o grupo “AuladaAna”, e interage com todos os seus colegas de classe, podendo ainda tirar aquela sua dúvida com a Professora Ana, que vai estar online durante todo o turno da tarde. Algumas redes sociais já são essencialmente voltadas ao ensino, como a LiveMocha, onde se pode aprender até 38 idiomas a partir do contato direto com um nativo de determinado país, e que por sinal já soma 2 milhões de brasileiros em sua rede. O próprio Facebook já notou a necessidade de incentivar o seu uso destinado a educação, anunciando a criação de grupos na rede voltados apenas para instituições de ensino. De acordo com a rede social, a ferramenta será usada para discutir as aulas, planejar eventos, compartilhar conhecimentos entre os colegas de classe, além de diversas outras funcionalidades.

As plataformas sociais na internet possuem caráter natural e espontâneo, o que torna mais fácil o aprendizado e o interesse do aluno por determinado estudo. Não existe distinção geográfica territorial, social, de cor, raça ou credo. Somos todos iguais, a informação é democrática e livre. Acredito que com a apropriação da internet voltada para a educação, podemos tocar na ferida deixada pelos abismos intelectuais em nosso país. Somos brasileiros, somos potencialmente sociáveis. Compartilhamos sorrisos e carisma, por que não compartilhar também conhecimento? Veja bem: não proponho nenhuma criação de uma nova tecnologia, e sim, o uso adequado das populares redes sociais, e a formação e conscientização dos docentes perante a elas. Porém, para isso, é necessário que os nossos pais e docentes estejam inseridos nesta forma de lidar com os novos meios. Michael Rich, professor do Centro de Mídia e Saúde Infantil da Universidade de Havard, afirma que “os pais precisam engolir seu orgulho e se tornar aprendizes dos filhos na parte técnica, para que possam ser seus professores na parte humana”. Concordo plenamente. E afinal, se você que está me lendo agora é pai ou professor, um aviso: já está na hora de se conectar a “nova educação”.
Vinicius Covas

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